Hoje, milhões de pessoas frequentam as salas de bate-papo dentro da Internet.
Encontramos perfis tão diferentes, que foram criadas salas específicas, em busca de um entretenimento.
Salas organizadas por idade, interesse, região, sexo, entre outras, são utilizadas em todas as horas do dia, em todas as partes do mundo.
É comum ouvirmos comentários de problemas de comportamento relacionados à Internet.
Adolescentes com baixo rendimento escolar e isolamento social, ou mesmo adultos, que se afastam das relações, gerando toda uma alteração na dinâmica familiar.
Os efeitos desses transtornos já são motivos de estudos em vários países. Nos Estados Unidos, órgãos de saúde consideram uma doença epidêmica, existindo clínicas especializadas no tratamento dos dependentes da Internet.
Mas o que conduz tantas pessoas a esse lugar? Inúmeros fatores poderiam ser pensados.
Tomada à análise da constituição psíquica, tentaríamos explicar que, em essência, o indivíduo é um ser em conflito, que busca permanentemente concretizar seus desejos, sendo que o virtual abre uma dimensão totalmente distinta da realidade comum, muito mais favorável às projeções das fantasias.
Outro fator é que compartilhamos uma cultura que estimula a competividade, vivida, quase que em sua totalidade, de uma forma agressiva e sem ética, promovendo o individualismo, fazendo com que as pessoas se sintam cada vez mais ameaçadas e sozinhas.
Através dos computadores domésticos, a comunicação virtual passou a ser uma fonte extremamente facilitadora, na procura do homem de afastar-se de suas angústias e solidão, e de alguma forma, tentar se aproximar, da sua necessidade de ser feliz.
Nas salas de bate-papo, utilizando-se apenas de um nick (apelido), os internautas podem desaparecer a qualquer momento, sem a possibilidade de uma identificação com a realidade.
Assim, menos ameaçadas, as pessoas diminuem as defesas e expressam com uma maior tranquilidade suas fantasias. De uma forma virtual, ou seja, aquilo que existe como capacidade, porém sem exercício ou efeito, uma outra qualidade de relação é gerada.
É exatamente dentro da segurança de não estar submetido a nenhum tipo de vínculo, ou cobrança, que encontram um caminho para viver, na maior parte dos casos, seu desejo inconsciente de vincular-se. O anonimato e a desvinculação estabelecem um outro campo de contato, com uma outra dinâmica, que flui através da escrita.
Com absoluta distância de referências que buscam autenticar o pensamento, como as expressões do olhar e da fala, onde o outro possa qualificar ou julgar, desejos podem ser “ditos”com um menor grau de censura.
Se tudo isso promove uma maior liberdade de comunicação, cria também uma relativa desconfiança. Quem é Quem?
Mecanismos inconscientes, presentes a todo momento, “configuram” do outro lado do computador, o ideal que buscamos.
Uma outra pessoa que pode ser prazerosa, mas que também pode resultar em uma enorme frustração, quando desaparece da tela.
Nota-se que, apesar de existir contatos em grupos, há um predomínio da fala a dois, mostrando a procura de uma intimidade, revelando carências que, a cada dia, as pessoas se vêem mais ameaçadas de buscar na realidade comum.
O sexo virtual seguro, pode adquirir características patológicas compulsivas (sem controle) fazendo com que o internauta fique horas na frente do computador, comprometendo seu desenvolvimento, tanto social, quanto escolar, profissional ou familiar.
Faz-se necessário entender que há toda uma variação de uso frente à Internet, um uso que será determinado pela organização interna.
Prazeres e frustrações, encontros e desencontros são vividos a todo momento nas salas da Internet. Dependerá da elaboração e estrutura psíquicas, a forma com que estas experiências serão internalizadas.
Cabe a cada um estabelecer limites, não permitindo que esse momento seja invasivo e acrescente mais dificuldades a esse complicado ato de viver.

Sonia Negrão  –  [email protected]

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